Se o consumidor mudou, o seu supermercado também mudou? As tendências de consumo no Brasil 2026 mostram que o carrinho do supermercado brasileiro está diferente. Itens que dominavam as gôndolas por décadas estão perdendo espaço. Outros, que antes tinham participação pequena, estão crescendo em ritmo acelerado.
O consumo de água cresceu quase 60% no Brasil nos últimos anos. No mesmo período, a cerveja caiu quase 7%. Esses números fazem parte de uma mudança no comportamento de compra do brasileiro que está acontecendo agora, dentro das suas lojas.
A Mercafacil acompanha o dia a dia de milhares de supermercados no Brasil e tem observado esse movimento de perto: o que entra e o que sai do carrinho está mudando, e os dados de mercado confirmam o que já aparece na operação dos nossos clientes.
Neste conteúdo, reunimos o que as pesquisas mais recentes mostram e o que isso significa para a gestão do seu supermercado.
O que os dados mostram sobre as tendências de consumo no Brasil 2026
Levantamento da Scantec, divulgado pela Folha de São Paulo, mapeou as principais variações no carrinho brasileiro entre 2002 e 2025.
Os resultados mostram uma redução consistente nos ultraprocessados e nos itens tradicionais:
- Massa instantânea: -16%
- Açúcar: -14%
- Hambúrguer: -11%
- Suco pronto: -11%
- Margarina: -10%
- Biscoito: -10%
- Cerveja: -6%
Do outro lado, os itens que cresceram no mesmo período:
- Água: +60%
- Frutas in natura: +33%
- Ovos: +24%
- Sardinha enlatada: +19%
- Queijo: +17%
- Frango in natura: +15%
- Legume: +15%
O movimento observado não acontece em um único período ou região. Os dados mostram uma reorganização gradual do consumo, e que já está refletida no movimento das gôndolas, marcada por três movimentos principais:
- Redução contínua de ultraprocessados;
- Desaceleração de itens tradicionais do carrinho brasileiro;
- Crescimento consistente de alimentos naturais e fontes de proteína.
Nos supermercados acompanhados pela Mercafacil, esse comportamento aparece com clareza: o consumidor continua comprando, mas redistribui o gasto entre categorias com novos critérios de escolha.
O consumidor não compra menos, compra diferente
Quando uma categoria cai, a primeira reação do varejo costuma ser buscar uma explicação econômica. Mas o que os números mostram é que o consumidor não está necessariamente com menos dinheiro, ele está colocando esse dinheiro em outros produtos.
Quando o consumidor paga mais por um produto que ficou mais caro e deixa de comprar outro que ficou mais barato, o fator decisivo não é o preço. É o hábito. É a percepção de valor. É uma prioridade que mudou.
Essa é uma das principais tendências de consumo no Brasil 2026 que o gestor precisa acompanhar: a lógica de compra do seu cliente está mudando, e a promoção de preço não reverte isso.
O crescimento da cesta saudável como tendência de consumo no varejo alimentar 2026
Uma das mudanças mais expressivas no varejo alimentar é o avanço dos itens ligados à saúde e bem-estar. As categorias que mais crescem não são novidade nas gôndolas, mas estão ganhando um peso diferente no carrinho do consumidor.
Segundo dados do setor, a categoria de saúde no varejo cresceu mais de 17% só no início de 2025. Dentro dela:
- Frutas in natura cresceram 33% – um sinal de que o consumidor está buscando mais produtos frescos e menos industrializados.
- Proteínas – ovo (+24%), frango in natura (+15%) e sardinha enlatada (+19%) — aparecem entre os itens de maior crescimento, acompanhando o dado de que 50% dos brasileiros declaram intenção de aumentar o consumo de proteína em 2026.
- Produtos funcionais como suplementos e iogurtes funcionais crescem até 110 vezes mais rápido do que o restante do supermercado. Bebidas proteicas, por exemplo, tinham 5% de penetração no Brasil em 2023 e chegaram a 13% em 2025 — triplicaram em dois anos.
O comportamento do consumidor está se reorganizando em torno da saúde, e esse movimento não está restrito a um perfil de consumidor. Ele aparece em diferentes faixas de renda e regiões, com diferentes intensidades.
Por que preço não é o único fator nas tendências de consumo no Brasil 2026
O varejo que opera com a lógica de que promoção resolve qualquer queda de categoria está operando com uma leitura incompleta do mercado.
O comportamento do ovo e da carne bovina ilustra bem isso: carne com preço 9% menor e consumo caindo 8%; ovo com preço 11% maior e consumo crescendo 5%. O padrão se repete em outras categorias: o brasileiro está escolhendo produtos com base em critérios que vão além do valor na etiqueta, saúde, praticidade e percepção de qualidade pesam cada vez mais.
Isso significa que, em categorias onde o comportamento de compra está mudando, reduzir o preço não necessariamente reativa a demanda. O consumidor que passou a priorizar outros critérios na hora de escolher o que colocar no carrinho não volta a comprar um produto só porque ele ficou mais barato.
Para o gestor de supermercado, esse dado muda a forma de interpretar a queda de uma categoria. Antes de reagir com promoção, vale entender o que os dados de comportamento dos seus clientes estão mostrando.
3 erros comuns do varejo diante das mudanças no consumo alimentar
Reagir com desconto nas categorias que estão caindo
Cerveja caindo? Promoção de cerveja.
Biscoito parado? Combo de biscoito.
O problema dessa lógica é que o cliente não está deixando de comprar por causa do preço, ele está comprando outro produto.
Reduzir preço em categoria que o consumidor está abandonando não recupera volume e ainda comprime margem.
Manter o sortimento e esperar a demanda voltar
Acreditar que o movimento atual é sazonalidade é um erro custoso. Os dados de consumo mostram uma curva de vários anos, não uma oscilação de trimestre.
As categorias que perderam participação de forma consistente dificilmente vão recuperar o mesmo volume sem que haja uma mudança na proposta do produto.
Usar campanhas genéricas para toda a base de clientes
Mandar a mesma oferta para todos os clientes, sem considerar o que cada um compra, gera desperdício de verba e baixa taxa de retorno.
O cliente que está aumentando o consumo de proteína não vai engajar com um encarte focado em ultraprocessados. A comunicação precisa acompanhar o hábito de consumo de cada perfil de cliente.
O que as tendências de consumo no Brasil 2026 mudam na prática para o supermercado
Revisão de sortimento
O ponto de partida é olhar para os dados da própria loja. Quais categorias estão crescendo? Quais estão perdendo participação? Essa resposta está no comportamento de compra dos seus clientes, e pode ser diferente da média nacional dependendo do perfil da sua região.
Ajuste nas campanhas
Se o consumidor está priorizando proteína, frutas e produtos funcionais, o encarte e as campanhas precisam refletir isso. Não se trata de abandonar os itens tradicionais, mas de garantir que os itens em crescimento tenham visibilidade proporcional ao interesse do cliente.
Comunicação alinhada com o novo consumidor
O produto que aparece no destaque do aplicativo de supermercado, do encarte e das redes sociais precisa conversar com quem está comprando hoje. Isso vale para a escolha dos itens, para a linguagem e para os benefícios comunicados.
Entender comportamento, não só volume de vendas
Faturamento e número de cupons são métricas importantes, mas não mostram o que está mudando dentro do carrinho. Para acompanhar as tendências de consumo no varejo alimentar 2026 com precisão, é preciso olhar para o comportamento de compra de cada cliente: o que ele comprava antes, o que está comprando agora, o que parou de comprar.
Como o seu supermercado pode acompanhar as tendências de consumo no Brasil 2026
O carrinho do consumidor brasileiro está mudando, e essa mudança já está acontecendo nas gôndolas dos supermercados.
Os gestores que conseguirem ler esse movimento com dados, ajustando sortimento, campanhas e comunicação, vão atender melhor o cliente que já têm e atrair o perfil que está crescendo.
Para fazer isso bem, é preciso mais do que intuição. É preciso dado. Saber o que cada cliente compra, com qual frequência, em quais categorias e como esse padrão evoluiu ao longo do tempo.
Com essas informações em mãos, as decisões de encarte, promoção e mix deixam de ser baseadas em suposições.
O CBM, a evolução do CRM, foi desenvolvido para isso: ajudar supermercadistas a entender o comportamento de compra de cada cliente e agir com a oferta certa, no momento certo, para o perfil certo.







